Educação
Sexual: 6 mitos e 6 factos
João Araújo, Professor Universitário
In SOL, 08. 10. 2010
Mito 1: Portugal tem a 2ª maior taxa de gravidez adolescente
da Europa.
Facto 1: Portugal não tem a 2.ª maior taxa de gravidez
adolescente. Piores, por exemplo, estão a França, a Dinamarca, a
Suécia, a Noruega, a República Checa, a Islândia, a Eslováquia,
o Reino Unido (mais do dobro de Portugal), e a Hungria (o
triplo). Já agora, nos EUA, o maior consumidor e exportador de
educação sexual, a taxa é 4 vezes maior que a portuguesa.
Mito 2: Os conteúdos de educação sexual são totalmente
científicos.
Facto 2: A biologia da reprodução, infecções sexuais (IST)
e contraceptivos são matérias leccionadas há décadas. Que
transmite então a educação sexual? Uma espécie de revolução
sexual tipo Maio de 68, mas para crianças. Num livro divulgado
em todas as escolas, propõe-se que alunos de 12 anos debatam em
aula as seguintes questões: «Já fingiste um orgasmo?»,
«Descreve-me a tua primeira experiência sexual», «Tens fantasias
sexuais?», «O que te excita sexualmente?». Mais de mil escolas
compraram material que propõe: masturbação solitária, em grupo,
mútua. No Minho, um professor foi punido por recusar usar um
livro que, entre outras coisas, propunha às crianças desenhar o
corpo e as partes onde gostam de ser tocadas. No mesmo livro
diz-se que as crianças precisam de conhecer «o vocabulário
médico (pénis, vagina, relações sexuais), calão (f..., con...,
car...)».
Mito 3: A Educação Sexual está cientificamente fundamentada
nas ciências da educação e psicologia. Ora, os pais não são
técnicos.
Facto 3: Os materiais de educação sexual usam
abundantemente os ‘jogos de clarificação de valores’ de Rogers/Coulson
e os ‘dilemas morais’ de Kohlberg, cientistas famosos. E, de
facto, os pais comuns desconhecem essas teorias. Mas note-se que
Rogers/Coulson afirmaram ser muito perigoso expor crianças às
suas teorias. E Kohlberg concluiu das suas experiências na
Cluster School que «As minhas ideias estavam erradas. O educador
deve transferir valores e comportamentos, e não apenas ser um
facilitador ao jeito de Sócrates ou Carl Rogers». Que aconteceu,
entretanto, na Cluster School? «Esta escola serviu para gerar
ladrões, mentirosos e drogados, apesar de a escola ter apenas 30
alunos e contar com 6 professores e dúzias de consultores».
Mito 4: A eficácia da educação sexual, na prevenção da
gravidez e do contágio de doenças, certamente foi avaliada
cientificamente.
Facto 4: Não é verdade: na educação sexual escasseia o
trabalho científico. Mais de 30 anos após o lançamento da
educação sexual nas escolas dos EUA, Kirby tentou uma
meta-análise sobre a eficácia dos programas e encontrou apenas
23 estudos com um mínimo de qualidade. Neste momento só é certo
que: 1. Nenhum modelo é consensual; 2. Continua por provar que
exista um modelo de ‘sexo seguro’ que diminua a gravidez
adolescente e o contágio de ISTs.
Mito 5: A Educação Sexual deve ser obrigatória, tal como a
Matemática é obrigatória.
Facto 5: A Matemática é obrigatória porque é exigida pela
realidade. Um engenheiro precisa do cálculo diferencial, e por
isso precisa de saber derivar. Quem opta por não ter Matemática
a partir do 9º ano está a optar por não ser engenheiro. Mas quem
prescinde do ‘Maio de 68 para crianças’ renuncia a quê? Às
convicções sexuais do professor de Educação Sexual.
A maioria dos pais ignora as convicções pessoais do professor de
Matemática. Mas será que um ateu aceitaria, para professor de
Educação Sexual do filho, um padre? E quantos casais aceitariam
um activista gay? No modelo actual tudo isto pode (vai)
acontecer, sem que os pais possam impedir.
Mito 6: Os jovens têm actividade sexual e é preciso ajudá-los
a praticar sexo seguro sem o risco da gravidez ou ISTs.
Facto 6: Qual é a segurança do ‘sexo seguro’? A OMS
declarou, em 2005 e 2007, que os contraceptivos hormonais
combinados são cancerígenos nos seres humanos (grupo 1, o
máximo). Onde estão os materiais sobre ‘sexo seguro’ que referem
isso? Quem informa as adolescentes de que o risco de desenvolver
cancro é máximo em quem toma a pílula durante 4 anos antes da
primeira gravidez de termo? E quem alerta quanto à ineficácia do
preservativo para evitar o contágio de praticamente todas as IST?
E quem diz às crianças que a intimidade sexual é muito mais que
prazer, químicos e borrachas?
Mas os pais que não querem filhos expostos a estes riscos nada
podem fazer. A partir desta altura haverá nas escolas gabinetes
a proporcionar contraceptivos aos alunos sem conhecimento dos
pais.
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